terça-feira, 10 de junho de 2008

Festas Juninas - Podem ou não podem?


Por Pr. Alexandre Farias
Muitas crianças são obrigadas pela escola a participar da festa junina, em alguns casos, a professora até diz que vai tirar a nota se ela não dançar a quadrilha ou ficar na barraquinha.

Este tem sido um problema de muitos pais evangélicos que às vezes não sabem o que fazer, mas eu gostaria de deixar bem claro que a constituição Brasileira permite que a nossa confissão de fé seja respeitada e nenhuma escola, seja ela qual for, tem o direito de obrigar os nossos filhos participar desta festa.
No Inciso 5º da Constituição Federal reza o seguinte: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais dos cultos e suas liturgias”.
Fica claro que é inviolável a liberdade religiosa, devemos ser respeitados e somos livres se queremos participar ou não de qualquer festa ou evento.

As escolas se defendem dizendo que as festas Juninas são festas folclóricas e não religiosas, mas a própria história antiga e a colonização brasileira, nos permitem dizer que esta festa tem ligações religiosas.

Vamos passear na história para entender um pouco mais.
JUNO – MITOLOGIA ROMANA
Uma das festas comemoradas na antiguidade prestava culto à deusa “Juno”, deusa da mitologia romana (Migalhas folclóricas, p.99 Mariza Lira), os festejos a esta deusa eram denominados Junônias, origem do nome atual “festas juninas”.

No Brasil nós temos um outro aspecto religioso que deve ser considerado. Como é de conhecimento de todos, o Brasil foi descoberto pelos portugueses e a tradição religiosa católica romana veio a ser inserida na nossa cultura.

Lembram de como os índios sofreram nas mãos dos homens que deveriam trazer a paz?

A frase era: “ Vamos catequizar a força”, foi por esta razãoque muitos índios desapareceram.

Se o folclore é um genero de cultura transmitida por costumes, tradições e festas de um povo as gerações, não existe o porque de dizer que as festas juninas não são frutos de uma tradição religiosa pela historia da nossa terra, Brasil.
A primeira festa junina realizada no Brasil aconteceu no ano de 1603, em comemoração a São João, pelo Frade Vicente do Salvador que se referiu aos nativos que aqui se encontravam da seguinte forma: “os índios acudiam a todos os festejos dos portugueses com muita vontade, porque era muito amigo da novidade, como no dia de São João Batista por causa das fogueiras e capelas”. (Ib p.106 Mariza Lira).
AS EXPLICAÇÕES QUE SE DÁ PARA AS CRIANÇAS SOBRE ALGUMAS DATAS COMEMORADAS NAS FESTAS JUNINAS
Para muitas crianças católicas esta festa é explicada da seguinte forma: “Que a Santa Isabel era muita amiga de Nossa Senhora (Maria) e pela falta de comunicação daquele tempo, para Nossa Senhora saber que o bebê tinha nascido, Isabel faria uma grande fogueira e mandaria erguer um mastro com um bebê na ponta.”
Conforme ensinado pelos professores do catecismo, foi desta forma que aconteceu, no dia 24 de Junho. As festas juninas contêm mastros, fogueiras e danças para comemorar o dia de São João BATISTA.

A devoção deste santo foi introduzida no Brasil pelos padres franciscanos que fizeram em Olinda (PE) a primeira igreja dedicada a ele.
Quando chega a festa de Santo Antonio, faz parte da tradição que as moças recorram a Santo Antonio para pedir um casamento. São João foi consagrado santo pela igreja católica.
O dia de São João é comemorado com fogos de artifícios, os devotos usam bandeirolas coloridas,dançam, erguem uma fogueira e canções ao Santo. Sabemos que o nascimento de João Batista foi um milagre, visto que os seus pais já eram idosos (Lucas 1 v; 5-25), reconhecemos a sua importância para o Evangelho e na preparação do caminho para Jesus, João Batista reconhecia o seu lugar e se alegrava de sua posição.
Jesus também deu credito a sua pessoa, mas nunca disse que ele seria canonizado ou idolatrado. João Batista recusou qualquer tipo de homenagem ou adoração em vida, será que agora ele aceitaria festas em sua homenagem? É só lembrar no batismo de Jesus (João 4v. 1).
São Pedro
É atribuído uma festa para São Pedro também em junho, ele é reconhecido pelos católicos como o “primeiro Papa ou o principal dos apóstolos”, considerado o patrono dos pescadores, no seu dia, são realizadas procissões marítimas em sua homenagem com grande queima de fogos. Para os pescadores, este dia é sagrado!
Como João Batista, o apóstolo Pedro sabia muito bem qual era o seu lugar, reconhecia a soberania de Jesus e nunca aceitou adoração.
At 10 v.25-26. - “E aconteceu que, entrando Pedro, saiu Cornélio para recebê-lo e prostrando-se a seus pés, o adorou. Pedro o levantou dizendo: LEVANTA-TE, QUE EU TAMBÉM SOU HOMEM”.
A FORMAÇÃO DAS FOGUEIRAS
As fogueiras são partes fundamentais para qualquer festa junina, nas cidades, nem sempre, mas no interior, fazer uma fogueira não é tão simples assim. Aqueles que são devotos aos santos em destaque, sabem para quem é dedicada a festa junina apenas olhando para a formação da fogueira.

Para cada “santo” existe um tipo de fogueira.

Elas devem ser construídas como diz a tradição, para cada dia e comemoração, elas tem a sua formação.
*Santo Antonio: As lenhas são montadas em forma de quadrado.
*São Pedro: As lenhas são atreladas em formato triangular
*São João: As lenhas são colocadas semelhantes a uma pirâmide.

PARTICIPAR OU NÃO DAS FESTAS JUNINAS?
Sabemos que muitas festas juninas realizadas nas escolas estão sendo adaptadas, não obedecem a tradições e são enxertados temas conforme o objetivo da escola. Fica sempre uma duvida na cabeça dos pais evangélicos em relação aos filhos: Deixo participar ou não?

Eu sempre estou disposto a pensar sobre o que qualquer programação pode gerar na cabeça da criança, se ela gera um conceito firme sobre a palavra de Deus ou não.

Se a festa junina tem uma raiz no catolicismo, porque os nossos filhos devem participar?

Qual a razão que nos leva ceder à escola a permissão dos nossos filhos participarem da quadrilha?

As festas estão totalmente ligadas a pessoas importantes para o Evangelho, sem dúvida, mas isto não nos dá o direito de levar certa adoração camuflada de festa folclórica.

Por que eu digo isto?

Porque não existem festas juninas que não traga as músicas relacionadas a São João, São Pedro e a Santo Antonio.
Se o nosso objetivo é levar a criança um modo de adoração pura e sem tradições humanas, o perigo dela se envolver com esta festa é que, as tradições e costumes podem entrar na vida dos pequeninos sem nenhum tipo de receio e de modo astuto.
INVERSÃO DE CONCEITOS
Imagine dentro da cabeça da criança a confusão que é gerada quando eu digo que não devemos adorar santos e nem fazer comemorações a eles e, depois, eu abro mão dizendo que ela pode participar de uma festa que é feita para os santos adorados na Igreja Católica Apostólica Romana.
Como o caráter espiritual de uma criança que uma hora pode outra hora não, é formado?

O pior é ver igrejas que fazem festas iguais a estas em junho. Eu fico imaginando a cabeça das crianças destas igrejas como deve ficar!


Alguém pode pensar da seguinte forma: “Mas a escola do meu filho não comemora com esta finalidade. Ele não será influenciado por isso.”

Quando uma criança está em formação de conceitos, caráter moral e espiritual, eu devo ter certeza no que eu estou ensinando para não causar conflitos de conceitos.

Eu devo dar a ela conceitos seguros e alicerçados na verdade da Palavra do Senhor. Estes conceitos não podem ser subjetivos, mas objetivos, não podem ser volúveis.
Imagine uma criança crescendo e participando de festas consideradas católicas, mesmo que seja na escola. Estas festas não são comemoradas somente na escola, mas nas vilas,bairros e nas igrejas católicas, o que se conhece por quermesse.
A criança não é boba, ela faz uma ligação entre uma festa e outra, isto pode gerar conflitos. Por que eu não posso ir a na quermesse e posso ir na festa da escola?

Qual é a diferença se, na escola, o pessoal da quadrilha grita “ Viva São João” e na quermesse também?

Se você pode fugir de uma aparência que pode criar um conflito na cabeça dos nossos filhos, fuja.

Será que você não pode trocar o dia da festa junina com um passeio no parque ou qualquer que seja o passeio?
CRENTES CARETAS
Muitas pessoas acham que não vamos às festas, não participamos de comemorações; pelo contrário, nós somos festivos!

Lembro das festas de comemoração que a escola dos meus filhos realizava, isto marcou a minha vida! Lembro de que tive que fazer uma pizza para ele e ele pra mim, foi uma grande bagunça, mas valeu a pena.

Uma das festas os meus olhos foram tampados por uma venda e, um dos meus filhos trouxe uma medalha com os seguintes dizeres : O PAI NOTA 10! Depois nos abraçamos e ali ficamos por alguns minutos.

Qual é o pai que não gosta de festas que traga a união da família?

Pena que as igrejas não acordaram para isto, quantos filhos de pastores foram esquecidos pelos pais porque a “obra não pode parar”.

O grande problema não é a realização de um evento, mas para quem o evento está sendo feito e qual é o interesse que ele vai despertar.
NÃO CONFIE NA SUA SABEDORIA,LEMBRE DE SALOMÃO
Não podemos ser sábios aos nossos próprios olhos (Is 5v. 21), confiar na sabedoria que temos e deixar os nossos filhos livres e soltos para qualquer comemoração.

Lembre da vida de Salomão, conhecido por receber de Deus sabedoria que era comparada a areia da Praia,(I Reis 4v. 29 “Deus deu a Salomão sabedoria, e muitíssimo entendimento, e larga inteligência como a areia da praia do mar”).

Mesmo tendo esta sabedoria, Deus não deixou de avisar a ele para não esquecer dos seus estatutos e seus mandamentos (I Reis 3v. I Reis 3v. 11-14 / I Reis 6v. 11- 13 / I Reis 9 v. 4-9), por 3 vezes Deus avisou a Salomão, mas o que aconteceu?

Ele confiou em sua própria sabedoria e fez aliança com povos que tinham uma tradição religiosa contrária à palavra de Deus, adoravam a outros deuses e esta aliança tinha sido feita como objetivo de paz. Quem sabe ele pensou assim: “Se eu pegar as filhas de Faraó e as filhas dos reis que estão em minha volta, com certeza, eles não vão fazer guerras contra mim, então farei isto!
Mesmo que elas tenham costumes diferentes, adoram outros deuses, eu que tenho a Sabedoria que Deus me deu, não vou ser contaminado”. Quem sabe muitos pais pensam da mesma forma em relação a esta festa, mas o que aconteceu com Salomão?
- Ele se contaminou a ponto de adorar a outros deuses.
O teor religioso das festas juninas não passa de um ato de idolatria, mesmo que algumas escolas não querem ter este objetivo, mas as festas em si possuem. A prova disto é que não se gritam “Viva, Chapolim” , nas quadrilhas.

Quando se fala das festas realizadas aos Santos, a Palavra de Deus é clara: Não devemos nos envolver com a idolatria, mesmo que ela seja apenas uma suposta diversão.
O intuito desta matéria é dizer que o perigo de ter um envolvimento com tradições e costumes que vão contra a palavra de Deus pode ser letal a uma criança em fase de crescimento espiritual.
CONTEÚDO ESPIRITUAL ROMANO
Normalmente as pessoas que participam destas comemorações imaginam que estes santos podem interceder por elas, mas sabemos que eles não podem fazer nada por ninguém, Pedro e João foram discípulos obedientes, mas eles não podem intermediar nada para ninguém, porque esta missão foi dada para Jesus “Porque há um só Deus, e um só intermediador entre Deus e os Homens, Jesus Cristo I Tm 2v. 5”. Romanos 8 v. 34 diz ‘é Cristo quem morreu, ou antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus e também intercede por Nós’.
Bem espero que esta matéria tenha sido benção e acabo com a pergunta: - Podemos deixar os nossos filhos participarem destas comemorações? - Podemos participar destas festas?
A minha resposta é não, mas qual é a sua?
Deixo a vocês também uma opinião :
1- Procure trocar esta festa, por um passeio com o seu filho.
2- Procure explicar com uma linguagem que ele entendam o perigo das contaminações das tradições e costumes religiosos. Se ele souber ler, DEIXE com que ele leia os textos bíblicos sobre a idolatria.
3- De a oportunidade do Espírito Santo trabalhar no seu coração, não proíba de forma arbitrária, mas explique sobre o problema. Por que se ele só for proibido de fazer sem explicação, você poderá de vez ajudar, atrapalhar mais ainda, a raiva pode criar um muro que ele não pode pular agora, mas quando ele crescer, ele pula para ver o que tem do outro lado!
Seja sábio, procure ser amigo e não general!

2 comentários:

Anônimo disse...

Gostaria de ter a autorizaçao, de repassar esse seu artigo a igreja onde congrego, pois sei a importancia e o resultado espiritual que isso pode ocasionar,te digo meu querido irmão que o Senhor nosso Deus precisa de homens como você dispostos a preparar o caminho, que a cada dia possa se cumprir seu chamado aqui nesta Terra, venho lutado alguns anos pra que pastores enxergeum seus filhos mais de perto, Deus te abençoe, querido irmao e se posso ja dizer querido amigo.

Pr. Alexandre Farias disse...

Graça e paz,

Autorizo repassar do artigo a igreja. Se o reino de Deus é abençoado com o artigo, pode ser repassado para os irmãos.
Espero apenas ser um instrumento do Senhor para abençoar o reino.

Deus abençoe.